“Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião e quem quiser aprender, favor prestar atenção”. Os versos são bastante conhecidos, já o autor… “O homem que engarrafava nuvens”, dirigido por Lírio Ferreira e fotografado por Walter Carvalho, documenta a história de Humberto Teixeira, o doutor do baião.

 

Cearense de Iguatu, Humberto já era autor de uma obra musical respeitável ao ser apresentado como letrista a Luiz Gonzaga. Logo após o encontro, despontou-se como um dos maiores compositores de toda a história da música popular brasileira, responsável pela criação do estilo baião e autor de clássicos como “Adeus Maria Fulo” e “Asa Branca”, a segunda canção mais popular no Brasil.

O documentário revive uma década esquecida da música brasileira por meio da história do compositor, retratando também a cultura nordestina e a história do baião. Acompanha Denise Dumonnt, filha de Teixeira, em uma viagem a procura de conhecer melhor seu pai, acrescido de depoimentos de grandes artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Belchior, Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, entre outros.

Denise tenta entender um pai que, apesar da proximidade, lhe é um desconhecido. O interessante é que, a medida que o documentário é realizado, ela descobre um pouco mais sobre a verdadeira personalidade e a história de seu pai. É uma experiência quase simultânea, de pesquisador e espectador.

O título poético remete à literatura de cordel e refere-se a uma expressão usada pelo próprio Teixeira, que dizia que “engarrafava nuvens e brumas” quando descansava em seu sítio em Mangaratiba (RJ).