Rei Leão

Em 1994, “O Rei Leão” chegou a ser a segunda maior bilheteria de todos os tempos (perdendo apenas para Jurassic Park), um verdadeiro sucesso de público. E não atoa, um sucesso entre os críticos, além da riqueza da animação, que chamou atenção pela detalhada representação da savana africana, “O Rei Leão” contou com uma equipe fantástica. Dentre eles, os ganhadores dos 2 Oscars do filme: Hans Zimmer, pela trilha sonora original e Elton John e Tim Rice, pela melhor canção original (“Can You Feel The Love Tonight”), os dois últimos concorrendo ainda com mais duas músicas na mesma categoria de canção original (“Circle of Life” e “Hakuna Matata”). Acima de tudo o filme também contou com nomes fortes no elenco de dubladores: Matthew Broderick, Rowan Atkinson, Jeremy Irons, Whoopi Goldberg e James Earl-Jones, e verdadeiros profissionais na excelente versão brasileira (diferente do que acontece atualmente), como Garcia Júnior, Paulo Flores, Mauro Ramos e Jorge Ramos.

  • O filme

O Rei Leão” em fim foi o ápice da Disney até os anos 2000 com um enredo profundo, acompanha o crescimento de Simba, o filho do rei, um garoto impulsivo, sempre a procura de aventuras, até que uma grande responsabilidade é colocada sobre ele por seu tio Scar, que planeja tomar o trono da pedra do rei. Fazendo uma análise profunda, parece que é possível identificar diversas camadas no roteiro do filme. Ideologias sócio-políticas, por exemplo, começando numa monarquia, passando por um golpe de estado e uma ditadura, acompanhando o personagem principal fugir dos seus problemas num sistema anárquico e voltar os olhos pra sua responsabilidade, sendo escolhido por todos para liderá-los, quase como numa democracia. Além de claras referências shakespeareanas (em especial “Hamlet”).

  • Significado

O filme ainda segue a ideia da autodescoberta. A todo momento, Simba, enquanto foge, demonstra dificuldades de se encaixar naquilo que ele escolheu, esquecer o seu passado, por um erro que acredita ter cometido. Deixar de ser quem ele realmente é. Nesse momento, além da aparição de uma antiga amiga, seu par romântico, Simba também encontra Rafiki. Um babuíno, que na minha infância, sempre achei ser um personagem completamente maluco. Mas ao ver o filme com mais idade, consequentemente descobri que por mais estranho que pareça, Rafiki é o personagem com as mensagens mais importantes de todo o filme. Quando questiona Simba sobre sua identidade, quando leva Simba ao encontro de Mufasa, numa das cenas mais bonitas de toda a animação, e quando explica de forma genial, na prática, como devemos aprender com os erros do passado.

  • Atemporalidade

“O Rei Leão” é mais do que um simples desenho para crianças. É uma lição muito bem conduzida, esteticamente impecável e com uma trilha sonora precisa e emocionante! Divertido para as crianças e reflexivo para os adultos.O engraçado é que um ano depois, nos foi apresentado “Toy Story” e a Pixar. Um estúdio que levou até os tempos atuais, com algumas leves escorregadas, essa linha de raciocínio primorosamente.